PONTOS DE DESEMBARQUE DO PESCADO NA ILHA DE MOSQUEIRO

Texto e Imagens: Pedro Leão


Vista do trapiche da Vila

Uma das principais características da pesca artesanal na Amazônia é quanto aos numerosos pontos de desembarque da produção pesqueira, seja no litoral ou no continente, traduzindo-se em inúmeros problemas para a atividade em questão.
Os pontos de desembarque além, de numerosos são espalhados ao longo da costa. Os locais são de difícil acesso e em cada ponto ocorre em geral desembarque de pequenos volumes de pescado, dificultando a obtenção de dados contínuos sobre a produção e o esforço pesqueiro.

A produção pesqueira mosqueirense não se realiza apenas através pesca no estuário, é também fruto de atividades na área da Costa Norte, litoral nordeste do estado e no interior ilhéu, definindo assim as embarcações de uso, seus apetrechos e espécies capturadas e os pontos de desembarque. Assim, os pontos de desembarque do pescado, além de estarem vinculados à produção dessas áreas de pesca, também estão fortemente relacionados as facilidades das estrutura de desembarque e de comercialização do produto.

Desembarque de pescado no Cajueiro

É comum na dinâmica imposta pela sazonalidade da atividade, localizar em determinada época do ano, como de setembro a dezembro, pescadores de Mosqueiro, sobretudo do Cajueiro e da Baia do Sol, desembarcando sua produção no Ver-o-Peso, no Trapiche de Icoaraci e no Município da Vigia, pelo excesso de oferta do pescado local.
Também por força da sazonalidade e da falta de fiscalização dos órgãos competentes é comum aportar em Mosqueiro, no Cajueiro principalmente, muitas embarcações de comunidades de outros municípios do estado, como Abaetetuba, Bacarena, Salvaterra, etc., para desembarque de pescado, já que sua zonas de pesca estão sob o estatuto do “defeso”, e muitos de seus pescadores estão recebendo o seguro-desemprego.


O desembarque pesqueiro na ilha de Mosqueiro tem no entreposto do Cajueiro, Baia do Sol, Areião/Trapiche da Vila, Porto Pelé, além da Ponta do Ariramba, Prainha e Furo das Marinhas, seus principais referenciais, notando-se que em proporções bem menores, por força da pesca doméstica de subsistência, se espraira tanto ao longo da costa, como nos rios e igarapés locais.

Tradicional canoa`à vela - Baia do Sol

Baía do Sol
A comunidade da Baía do Sol se constitui em um dos balneários do distrito de Mosqueiro, localizada a 22km ao litoral norte da Ilha e no lado Ocidental da Ilha de Colares.
Sua população é de aproximadamente 4.000 mil habitantes´e na comunidade á cerca de 800 casas sem morador residente, configurando casas de veranistas. O espaço físico da localidade está dividido em quatro áreas: Fazendinha, Camboinha, Bacuri e Ipixuna, além de novas áreas de ocupações desordenadas.
A Baía do Sol é uma área tradicional de pesca que sobrevive precariamente da pesca artesanal. Grande parte da população economicamente ativa do local está ligada a esta atividade produtiva , principal meio de subsistência da comunidade que, desde a década de 70, convive com a concorrência desvantajosa da pesca industrial, estabelecendo assim um conflito de pesca no estuário amazônico.

Cajueiro

Caracterizado com o entrepostpo pesqueiro, o Cajueiro é ocupado por cerca de 300 famílias, 70% das quais constituídas por pescadores artesanais, situa-se às margens do Igarapé Cajueiro, entre a ponta da praia de São Francisco e a de Carananduba.
As adjacências da ponte abrigam o manguezal entrecortado por pequenos córregos e estão sujeitas aos constantes influxos da maré. A localização do Igarapé facilita o acesso imediato a Baía do Guajará, uma localização estratégica em relação a Vigia e a ilha do Marajó. Possui como ponto de desembarque a Ponte do Cajueiro, onde situam-se barcos para desembarque e venda de pescado.
O porto do Cajueiro é considerado o mais importante da Ilha, é beneficiado pela localização de acesso mais rápido, mais próximo à saída da Ilha, também a sua proximidade à fábrica de gelo.
A SEAP em 2006, cadastrou em torno de 450 pescadores tendo como referência na atividade, a comunidade do Cajueiro.

Areião/Trapiche da Vila

Construido pelos ingleses e inaugurado em 1908, o trapiche da Vila fica localizado na Praia do Areião na primeira faixa de terra a passar por processo de urbanização ns ilha, perfazendo o complexo de infraestrutura local, composto ainda pelo mercado municipal da Vila e igreja de Nosa Senhora do Ó.
Este ponto de desembarque mantém relação estreita com as áreas de pesca no Marajó, já que muitas famílias de pescadores residentes no Areião, Vila, Bispo e Maracajá, são de origem marajoara. Hoje, seguindo a tradição, ainda é possível nestes locais comprar peixes frescos, inteiros ou em cambadas na hora do desembarque.


Pescaria de filhote na Praia Grande

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