Mobilidade nos rios do Amazonas

Uma das medidas apontadas para viabilizar o transporte fluvial no Amazonas é investir na ampliação e adequação dos portos (Márcio Silva -21/dez/2012)

Especialistas afirmam que é possível implementar e viabilizar o transporte público fluvial no Amazonas, com regulamentação da atividade e subsídios para uma tarifa praticável
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Regulamentação da atividade, investimentos de Estados e Municípios e subsídios para uma tarifa praticável são algumas soluções apontadas para a implementação do transporte público fluvial. De acordo com o superintendente de Navegação Interior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, ela é possível sim e algumas cidades do País já adotam o sistema, como Porto Alegre e Marabá, este último ainda em estudo.
“Agora que o País acordou para a questão da mobilidade urbana, é preciso inserir nas pautas de discussão a questão do transporte fluvial urbano”. Segundo ele, ao crescer e desenvolver-se “de costas para o rio que a margeia”, Manaus não foge à regra das demais cidades com as mesmas características, mas é preciso se pensar urgente em como integrar esse modal ao demais transportes públicos. “Ainda mais na Amazônia, onde as vias são os rios”, disse. Dados da Antaq apontam que 80% dos rios navegáveis do Brasil estão localizados na Amazônia.
Subsídio
Ele alerta para o fato de que não é possível fazer transporte urbano se não houve subsídio, a exemplo do que acontece com o metrô em grandes cidades como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, e com os ônibus, em todo o País. A medida é necessária para tornar a tarifa praticável, uma vez que se ela tiver que reembolsar o custo do empresário, ninguém vai usar. “É preciso investir também em terminais porque hoje, principalmente em Manaus, mal tem onde o barco chegar”, completou.
Segundo ele não há por que não se investir na navegação como transporte urbano, uma vez que trata-se de um modal mais sustentável, com menor emissão de CO2, além de ser uma alternativa aos engarrafamentos enfrentados hoje nas cidades.
Interior
Atualmente, 9 milhões de pessoas ao ano utilizam embarcações como meio de transporte para se locomover na Amazônia, segundo a Antaq. Os dados constam do estudo “Transporte Fluvial de Passageiros na Amazônia”, feito pelo órgão em parceria com a Universidade Federal do Pará, e que foi lançado em Manaus esta semana, durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). No próximo dia 6, será lançado em Porto Velho e, dia 19, em Belém. No dia 10 de outubro o ciclo será concluído com o lançamento em Macapá.
Fiscalização não impede atuação de irregulares
Qualquer pessoa que quiser comprar um barco e começar a transportar passageiros, hoje, pode fazê-lo. Não há nenhum controle ou autorização que impeça o fato. A declaração é do capitão-de-mar-guerra Paulo Cesar Machado, comandante da Capitania dos Portos do Amazonas.
Ele aponta a falta de atuação da um órgão regulador estadual, a exemplo do que acontece com os outros meios de transporte, como o principal problema. “À Marinha, compete a fiscalização da embarcação: questões de segurança, salva-guarda das pessoas, e de poluição do meio ambiente”. 
A situação de informalidade no setor é tamanha, que a maior dificuldade encontrada hoje para a habilitação da tripulação e do piloto, é a falta de escolaridade. “Muitos procuram a gente para se regularizar, mas não têm escolaridade mínima para frequentar o curso. São semi-analfabetos”, disse comandante da Capitania dos Portos. Além disso, muitos não podem parar de trabalhar e o curso básico, de marinheiro fluvial, dura aproximadamente três meses.


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