Andiroba na Amazônia: potencial para a produção de sementes



 Os produtos não madeireiros apresentam excelentes perspectivas para o uso sustentável das florestas, por meio do manejo. A extração e comercialização desses produtos têm o potencial de contribuir para melhoria da renda familiar em comunidades extrativistas. Além do aspecto econômico, a atividade extrativista provoca menor destruição ecológica do que a extração de madeira e outros usos da terra, os quais implicam em conversão da floresta.
Inúmeros são os produtos florestais que podem ser manejados de forma a manter a floresta em pé e gerar renda. A andiroba está entre os produtos que apresentam potencial de exploração comercial e, por isso, os estudos sobre seu manejo sustentável têm se tornado cada vez mais comuns.
As espécies Carapa guianensis ou Carapa procera, ambas conhecidas como andiroba, fornecem madeira de excelente qualidade e produzem sementes ricas em óleo. O óleo da andiroba é tradicionalmente aproveitado para usos medicinais (anti-inflamatório, cicatrizante) e como matéria-prima na fabricação de cosméticos (sabonetes, xampus, velas e tochas repelentes).
Estudos realizados pela Embrapa e Universidade da Flórida no Estado do Acre e na parte oriental da Amazônia, no Estado do Pará, revelaram aspectos relativos ao comportamento populacional produtivo da andiroba. O primeiro estudo foi realizado, de 2005 a 2009, em dois ambientes de floresta denominados de terra firme e áreas ocasionalmente inundáveis, no Município de Rio Branco, AC, e o segundo, realizado em 2007 e 2008, avaliou a densidade e produção de sementes de andiroba em três ambientes de florestas de várzea do estuário amazônico, classificados popularmente como restinga, baixio e terra preta, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Itatupã-Baquiá, Município de Gurupá, PA.
No Acre, a densidade de árvores de andiroba registrada foi um pouco menor do que no Pará, mas nos dois locais o número de árvores por hectare foi  bastante elevado, especialmente quando se compara com espécies de uso madeireiro com alto valor comercial. A andiroba foi encontrada com densidades de 14,6 a 28,9 árvores.ha-1 enquanto outras espécies madeireiras geralmente apresentam de 0,12 a 3,40 árvores.ha-1, como é o caso do mogno e cedro na Resex Chico Mendes. Esses resultados reforçam o potencial da andiroba para o manejo sustentável, seja madeireiro ou não madeireiro.
Independente da densidade, a produção média de sementes por árvore varia muito entre os anos e em função do ambiente de desenvolvimento das árvores.
No Acre, durante os primeiros três anos do estudo (2005 a 2007), foi registrada uma produção muito baixa (de 2 a 9 kg de sementes por hectare), com aumento significativo em 2008 e 2009 (28 a 113 kg de sementes por hectare), dependendo do local de ocorrência das árvores. Nas florestas de várzea do estuário amazônico, a produção de sementes foi substancialmente maior (51,7 a 171,6 kg de sementes por hectare) do que as registradas no Acre, porém também houve variação na produção entre anos e diferença entre os ambientes. 
Os resultados apresentados indicam que o manejo da andiroba para a produção de óleo precisa ser muito bem planejado, pois se não houver uma maneira para estimar a produção em determinado ano, corre-se o risco da quantidade ser insuficiente para comercialização. Isso parece mais crítico no Estado do Acre, onde, nos anos de 2005 a 2007 a produção foi muito baixa.
Apesar dos resultados positivos, um aspecto importante e muito comum a ser considerado para a produção de óleo de andiroba é o ataque de uma lagarta às sementes. No monitoramento da produção realizado no Acre, foi quantificada uma infestação de cerca de 15% das sementes em 2008 e 12%  em 2009, com pouca variação entre os ambientes. Não se sabe exatamente qual o impacto dessa infestação na qualidade do óleo, no entanto, sabe-se que pode afetar a quantidade de óleo a ser produzido, uma vez que as lagartas consomem a massa interna das sementes.
O monitoramento da produção de sementes por um período mais longo se faz necessário para melhor entendimento dos aspectos ligados à grande variabilidade na produção de sementes e visando definir critérios e indicadores de sustentabilidade para a atividade de manejo da andiroba destinada à produção de óleo. No entanto, não há dúvidas de que essa espécie tem potencial para o manejo, especialmente pela alta densidade de indivíduos, ocorrência em diferentes tipos de ambientes e elevada produção de sementes.
...........................................................................
Fonte:
Portal Dia de Campo
http://diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=23764&secao=Agrotemas. Acesso em: 27 de fev. 2016

Postagens mais visitadas deste blog

Flores da Amazônia